18 de julho de 2010
























Jardim Perdido

Jardim perdido, a grande maravilha
Pela qual eternamente em mim
A tua face se ergue e brilha
Foi esse teu poder de não ter fim
Nem tempo, nem lugar e não ter nome
Sempre me abandonaste à beira duma fome
As coisas nas tuas linhas oferecidas
Sempre ao meu encontro vieram já perdidas
Em cada um dos teus gestos sonhava
Um caminho de estranhas perspectivas
E cada flor no vento desdobrava
Um tumulto de danças fugitivas
Os sons, os gestos, os motivos humanos
Passaram em redor sem te tocar
E só os deuses vieram habitar
No vazio infinito dos teus planos

(Sophia de Mello Breyner Andersen)

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