17 de dezembro de 2009






















O Engano

Sou tua, Deus sabe por que, já que compreendo
Que haverás de abandonar-me, friamente, amanhã,
E que embaixo dos meus olhos, te encanto
Outro encanto o desejo, porém não me defendo.
Espero que isto um dia qualquer se conclua,

Pois intuo, ao instante, o que pensas ou queiras
Com voz indiferente te falo de outras mulheres
E até ensaio o elogio de alguma que foi tua.
Porém tu sabes menos do que eu, e algo orgulhoso

De que te pertence, em teu jogo enganoso
Persiste com ar de ator dono do papel.
Eu te olho calada com meu doce sorriso,

E quando te entusiasmas, penso: não tenhas pressa
Não és tu o que me engana, quem me engana é meu sonho.

Alfonsina Storni
Tradução de Maria Teresa Almeida Pina


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